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SÉRIE CIRCUITOS DA F1: Sochi

Com a crescente popularização do automobilismo, a Rússia se aproveitou da construção do Parque Olímpico para trazer a F1 para o país.

A Rússia tinha uma tímida história no automobilismo. As primeiras corridas no país aconteceram em 1898, perto de São Petersburgo. Em 1902, surgiu a St. Petersburg Automobile Club (SPAK), que buscava difundir a cultura dos carros, criando inclusive uma revista, numa época em que os carros eram novidade no país e apenas 40 unidades tinham sido importadas.

O SPAK continuou difundindo o automobilismo, promovendo pequenas corridas de 1 km em São Petersburgo e também rallies de maior distância. Em 1913, veio a primeira grande corrida, com sete voltas em um traçado de 30 km e com 21 equipes participando. A vitória ficou com Grigory Suvorin, com seu Benz 29/60 hp, que completou o percurso em 2h23. A prova foi repetida no ano seguinte, antes das competições serem interrompidas pela chegada da Primeira Guerra, com o SPAK cedendo veículos para os militares. 

Grigory Suvorin foi o vencedor do primeiro Grande Prêmio da Rússia, em 1913. – Foto: reprodução

Foi somente em 1930 que o automobilismo retornou, com o rally sendo a principal competição. Nos anos 1980, começou a se cogitar uma corrida de F1 na Rússia, mas a burocracia acabou impedindo o projeto de ir para a frente. Na época, as corridas ainda eram escassas, assim como o interesse do público. A situação só começou a mudar a partir dos anos 1990, quando alguns pilotos começaram a fazer sucesso fora do país, despertando a paixão pelo automobilismo nos russos. 

Quando Vladimir Putin assumiu a presidência da Rússia em 2001, vários projetos tentaram trazer uma corrida ao país, inclusive com a construção de um circuito em Moscou, que chegou a abrigar corridas da Formula Renault 3.5 e 2.0, mas os planos de receber a F1 ainda estavam distantes.

Impulsionados pela chegada na F1 do piloto Vitaly Petrov, o país finalmente assinou um acordo para sediar uma etapa da categoria. Aproveitando que as Olimpíadas de Inverno passariam pelo país, o governo russo liberou quase 200 milhões de dólares para a construção de um circuito dentro do Parque Olímpico na cidade de Sochi, que fica a 1600 km de Moscou e a beira do Mar Negro.

Vista do porto de Sochi, cidade que fica à beira do Rio Negro e próxima da fronteira com a Georgia. – Foto: reprodução

O circuito de Sochi foi pensado por Hermann Tilke para se integrar ao parque olímpico que estava sendo construído para os Jogos de Inverno. Toda a área de boxes e a primeira metade do circuito são permanentes, com a pista tendo 2,313 km e podendo ser usada de forma independente. Atrás dos boxes ainda foram construídos prédios para uso das equipes, dispensando o uso dos motorhomes.

Prédios atrás dos boxes servem de motorhome para as equipes. – Foto: reprodução

Já a segunda metade é composta de ruas públicas que ligam os demais prédios do complexo olímpico. A pista de 5,848 km, começa na parte nordeste do Parque Olímpico, perto da estação de trem, onde foi construído o pitlane e a reta dos boxes.

Reta do boxes em Sochi, uma das partes do circuito que é permanente. – Foto: reprodução

Depois de uma leve inclinação para a direita, os pilotos viram à direita na curva 2, que passa pelo Iceberg Skating Palace.

Na curva 2, os pilotos passam pelo Iceberg Skating Palace, que recebe competições de patinação no gelo. – Foto: reprodução

Logo depois vem a mais icônica curva do circuito, a curva 3 ou também conhecida como ômega, por seu formato que lembra a letra grega (Ω), onde os carros passam em frente a Arena Adler. 

Curva 3, vista da arquibancada que leva o nome do piloto da Alpha Tauri, Daniil Kvyat. Ao centro fica a Arena Adler e ao lado, o Bolshoy Ice Dome. – Foto: reprodução

Das curvas 4 até a 7 também são para a direita, sendo a curva 6 tão sutil que pode ser feita sem desacelerar, contornando o Bolshoy Ice Dome. Depois de duas curvas para a esquerda, passando por detrás da Adler Arena, os pilotos entram na reta oposta, que ainda tem duas leves curvaturas, mas ainda é feita com o pé embaixo. Logo depois vem uma sequência de curvas direita/esquerda e de esquerda/direita, os pilotos vão para as duas últimas curvas do circuito, sendo as duas em 90º, antes de entrar na reta principal. 

Traçado da pista de Sochi, que tem 5,848 km de extensão e passa pelos principais prédios do Complexo Olímpico. – Foto: reprodução

O circuito, que ficou pronto em junho de 2014, foi inaugurado oficialmente no dia 20 de setembro. Menos de um mês depois, no dia 12 de outubro, Sochi recebeu sua primeira corrida de F1. A prova foi vencida por Lewis Hamilton, que é o maior vencedor no circuito. Das sete edições do GP da Rússia disputadas até hoje, o britânico venceu quatro. As exceções ficaram com Nico Rosberg, que venceu em 2016 e Valtteri Bottas, que ganhou em 2017 e em 2020. Aliás, a Mercedes foi a única equipe a vencer em Sochi até agora. 

Hamilton celebra sua quarta vitória em Sochi, em 2019. O piloto britânico é o maior vencedor no circuito. – Foto: reprodução

Quando se fala em pódio, Hamilton também lidera a tabela, com 6, seguido de Bottas, com 5 e Vettel com 3. 

Entre os brasileiros, Felipe Massa e Felipe Nasr foram os únicos a correrem na pista russa, com Massa conseguindo o melhor resultado entre os dois ao chegar em 4º lugar na corrida de 2015.

Felipe Massa foi o brasileiro melhor colocado em Sochi, com o 4º lugar em 2015. Nessa corrida, Nasr terminou em 6º. – Foto: reprodução

A Rússia já teve 4 pilotos na F1. Vitaly Petrov não chegou a correr em Sochi, mas por ser o primeiro piloto russo na F1, ganhou uma arquibancada na curva 2 com seu nome. Já Kvyat, que correu entre 2014 e 2017 e depois entre 2019 e 2020, teve como melhor resultado em casa um 5º lugar em 2015 e também foi homenageado com sua própria arquibancada na curva 3. Em 2018, Sergey Sirotkin foi o representante do país, ganhando também uma arquibancada com seu nome na curva 1. E para a corrida de 2021, Nikita Mazepin será o representante da casa, com a Rússia tendo pelo menos um representante em todas as edições da corrida. 

Vitaly Petrov foi o primeiro piloto russo na F1 e apesar de não ter corrido em Sochi, tem uma arquibancada em sua homenagem por ter ajudado a despertar a paixão pelo automobilismo em seus conterrâneos. -Foto: reprodução

No ano da primeira corrida, foi assinado um contrato de sete anos com a F1, mas em 2017, uma extensão de cinco anos foi acertada, o que deixaria a categoria na Rússia até 2025. Com Sochi sendo de difícil acesso e com uma reforma sendo programada para o Parque Olímpico, que diminuiria o tamanho da pista, a F1 disputará suas corridas em São Petersburgo a partir de 2023.

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Denise Vilche

Uma revista antiga sobre carros fez nascer uma paixão: a F1. Uma menina curiosa de oito anos queria saber quem eram aqueles tais de Senna, Piquet, Mansell e cia. que a revista mostrava em gráficos coloridos. E mais de 30 anos depois, essa menina, agora jornalista, continua mais apaixonada pela F1 do que nunca.

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