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SÉRIE CIRCUITOS DA F1: Istambul 

Mesmo sem tradição no automobilismo, Istambul não quis perder a chance de receber a F1 e acabou sendo palco de uma marca histórica

Para qualquer cidade ou país, sediar uma corrida de F1 significa atrair milhares de fãs, que irão injetar dinheiro na economia local. E mesmo sem ter tradição no automobilismo, a Turquia viu uma chance de sediar uma corrida de F1, quando a categoria começou a se expandir para além dos tradicionais circuitos europeus. O local escolhido: Tuzla, distrito que fica na parte asiática da cidade de Istambul, cerca de 50 km do centro da cidade.

O distrito de Tuzla, em Istambul, foi o local escolhido para a construção do circuito turco. Foto: reprodução

O projeto foi feito por Hermann Tilke, que quando estava desenhando o traçado e se aproveitando das mudanças de elevação do terreno, percebeu que a pista seria mais desafiadora se fosse no sentido anti-horário, ao contrário da maioria das pistas. 

Traçado do circuito de Istambul Park, um dos poucos em sentido anti-horário. Foto: reprodução

O maior desafio para os pilotos é a curva 8, que combina velocidade e múltiplos vértices, o que lhe rendeu o nome de Diabólica. Para Lewis Hamilton, o desafio é acertar a entrada do primeiro vértice. Uma entrada mais cedo e o piloto pode perder a entrada das demais curvas e ficar longe do traçado ideal. O hexacampeão também destacou a força G que os pilotos sofrem durante toda a extensão da curva. Já a reta oposta tem uma pequena elevação que a fez ganhar o apelido de “Faux Rouge”, ou falsa Rouge, em alusão à famosa Eau Rouge em Spa. 

A famosa Curva 8, apelidada de Diabólica e que serviu de inspiração para uma das curvas do Circuito das Américas, nos EUA. Foto: reprodução

Em 2005, o circuito estava pronto para receber o GP da Turquia de F1, com suas arquibancadas que podiam receber até 155 mil pessoas. No dia 21 de agosto de 2005, foi realizado o primeiro GP da Turquia, corrida vencida por Kimi Raikkonen, com Alonso e Montoya completando o pódio. 

Kimi Raikkonen foi o vencedor da primeira corrida de F1 realizada na Turquia. Foto: reprodução

Mas o que era para ser um sucesso, já que os pilotos e o público adoraram a nova pista, acabou se tornando um fracasso. A falta de tradição no automobilismo do país acabou pesando e para piorar, a maioria da população não ganhava o suficiente para conseguir comprar os caros ingressos para as corridas. 

Para solucionar o problema, Bernie Ecclestone comprou o circuito inteiro por 60 milhões de dólares e prometeu um acordo de 14 anos para a corrida. Nem essas medidas evitaram que as corridas continuassem a ser um fracasso de público. Em 2011, o contrato original chegou ao fim e no dia 8 de maio, foi realizada a última corrida no circuito. Quem estava presente para a última corrida no circuito pode presenciar uma corrida agitada, com mais de 80 ultrapassagens, quebrando inclusive o recorde de mais ultrapassagens em pista seca desde 1983. A corrida teve uma dobradinha da Red Bull, com Sebastian Vettel saindo com o troféu de vencedor e Mark Webber chegando em segundo. 

Sebastian Vettel, ao lado de Webber e Alonso, comemora vitória no último GP da Turquia disputado antes de um hiato de nove anos. Foto: reprodução

O circuito também recebeu outras categorias, como a World Touring Car Championship, DTM, Le Mans Series, a International GT Open, a World Series da Renault e a MotoGP, mas a maioria parou de correr na Turquia até 2007. 

Em 2012, os direitos do circuito passaram para o Intercity Group, uma empresa de aluguel de carros, que fez um programa para modernizar o circuito e deixá-lo pronto para receber corridas. Apesar disso, a pista quase não recebeu corridas maiores, além de rodadas do World Rallycross Championship em 2014 e 2015.

O circuito estava servindo mais como centro de treinamento de motoristas do que para corridas, até que, depois de nove anos sem receber corridas, Istanbul Park ganhou a chance de voltar ao calendário em 2020, por conta da pandemia de Covid-19. Com muitas corridas sendo canceladas, o circuito se colocou à disposição para receber uma etapa e no dia 15 de novembro, a F1 desembarcou mais uma vez no circuito. A pista teve que ser recapeada às pressas e com isso, a baixa aderência do asfalto, piorada por uma chuva que caiu durante o fim de semana, foi um problema para os pilotos. Melhor para Hamilton, que venceu a corrida e conquistou seu sétimo título Mundial, igualando o recorde de Michael Schumacher. 

Em corrida exaustiva, Lewis Hamilton vence e conquista seu sétimo título, igualando o recorde de Michael Schumacher. Foto: reprodução

Entre os vencedores, Felipe Massa é o piloto que mais ganhou no circuito, com três vitórias consecutivas, entre 2006 e 2008, fazendo também a pole nas três ocasiões. E o circuito é especial para o piloto brasileiro, já que foi lá que ele conquistou sua primeira vitória na F1. Massa também é o brasileiro com a melhor posição de chegada, com Rubens Barrichello, Nelsinho Piquet, Lucas Di Grassi e Bruno Senna também participando de corridas na pista turca. 

Felipe Massa é carregado por Schumacher e Alonso, após vencer sua primeira corrida na F1, no GP da Turquia de 2006 – Foto: reprodução

Em segundo na lista de vencedores está Lewis Hamilton, com duas vitórias, seguido de Kimi Raikkonen, que venceu a corrida inaugural, Sebastian Vettel  e Jenson Button, que também venceram uma corrida no circuito. Aliás, foi em Istambul que Vettel participou pela primeira vez de um treino livre na F1, em 2006, sendo multado logo em sua saída dos boxes por exceder a velocidade permitida.

Sebastian Vettel participou pela primeira vez de um treino livre na F1, em 2006. O piloto alemão estreou como titular no ano seguinte, vencendo a corrida de 2011. Foto: reprodução.

Em número de pódios, é Fernando Alonso que lidera, com 4, seguido de Massa, Raikkonen, Webber, Hamilton e Vettel com três pódios cada. 

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Denise Vilche

Uma revista antiga sobre carros fez nascer uma paixão: a F1. Uma menina curiosa de oito anos queria saber quem eram aqueles tais de Senna, Piquet, Mansell e cia. que a revista mostrava em gráficos coloridos. E mais de 30 anos depois, essa menina, agora jornalista, continua mais apaixonada pela F1 do que nunca.

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