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Perguntas e Lições Depois de um Acidente

O mais importante é que não foi neste acidente que Deus chamou o Grosjean para uma corrida nos céus. A célula de sobrevivência cumpriu o seu papel e o halo evitou danos a cabeça do piloto. Dizem que a Fórmula 1 é um esporte de equipe. Mas o guerreiro que lutou pela vida e ressurgiu das chamas foi o Grosjean. Dito isto, o Franco-suíço corre por uma equipe com um modelo de negócio único na Fórmula 1. A Hass não fabrica o chassi que usa para construir seus carros.

Foi em 2001, num departamento de engenharia, que comecei a desenvolver projetos de componentes de equipamentos usados no fundo do mar para produção de petróleo. Tendo em vista a reputação do meu empregador, sempre tivemos que decidir o que seria terceirizado e o que seria fabricado no nosso chão de fábrica. Por muito tempo a decisão das empresas eram que os itens com impacto direto no know-how e reputação da empresa deviam ser desenvolvidos internamente.

Por muito tempo, esta foi também a filosofia da Fórmula 1, cujas equipes mantinha sob o seu domínio o projeto e construção de chassi, câmbios, difusores, aerofólios etc. Por vezes empresas trabalham com matérias primas ou componentes que são produzidos por empresas especializadas em cada item. No caso da Fórmula 1, os exemplos são: freios, motores, capacetes, etc.

No caso da Hass, a fabricação do chassi não é uma especialidade do time de Fórmula 1. O que é uma peculiaridade quando pensamos que o nome Hass está relacionado a fabricação de máquinas para manufatura em chão de fábrica.

Algumas etapas num projeto detalhado de um componente são: desenvolvimento de layout, preparação de desenhos, verificações estruturais, criação de especificações técnicas com critérios de controle de qualidade, programa de testes pra validação do projeto, e acompanhamento da performance. Modificações podem ser necessárias conforme desempenho durante operação no campo.

No caso da Hass, modificações podem ser necessárias conforme desempenho do chassi durante os finais de semana das corridas. Solicitação de modificações de projeto são oportunidades para os fornecedores receberem mais dinheiro do cliente. Dependendo do contrato, conforme necessário, Dallara deve ser paga pela Hass para execução da modificação do chassi.

Acidentes são sempre oportunidades para aprendizado, pois possibilitam identificação de melhorias que aumentam a segurança no uso de um equipamento. No caso do acidente do Grosjean será interessante identificar porque o carro se partiu em dois, possibilitando o vazamento do combustível e incêndio.

Um Fórmula 1 é montado a partir dos pontos do chassi onde são fixados os componentes do carro. Desde a entrega do chassi pela Dallara para a Hass, como que os pontos de fixação no chassi podem ser modificados de acordo com os desenvolvimentos feitos nos componentes do carro? Sobre o modelo de negócio usado pela Hass, é possível uma equipe assegurar a integridade do carro quando ela não fabrica o próprio chassi? É aceitável que um Fórmula 1 se parta em dois desde que a célula de sobrevivência seja preservada e que não haja vazamento de combustível?

Entendo que os especialistas da FIA estarão trabalhando intensamente pra responder perguntas como estas para aumentar a segurança de um Fórmula 1, que possibilitou o Grosjean sobreviver a este terrível acidente seguido de incêndio.

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