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O que acompanhar na temporada 2021 da Fórmula Indy?

“Calouros veteranos”, brasileiros mais presentes nos ovais, as dúvidas com o calendário e as rivalidades longevas em um ano com um novo olhar para os fãs daqui

A IndyCar Series, também conhecida por aqui como Fórmula Indy, retorna este fim de semana com o Grande Prêmio de Alabama, no circuito de Barber. A temporada 2021 traz algumas novidades interessantes para os fãs da categoria. Vamos conferir algumas delas.

Novatos bastante experientes

Oficialmente, teremos três pilotos debutantes na temporada 2021, mas todos eles são pilotos bem experimentados em categorias diferentes, com trajetórias reconhecidas internacionalmente.

McLaughlin quer ser o próximo Scott neozelandês a vencer na Indy (Chris Owens/Indycar)
McLaughlin quer ser o próximo Scott neozelandês a vencer na Indy (Chris Owens/Indycar)

Dos três, o único que competirá em todas as provas de 2021 será o neozelandês Scott McLaughlin, que pilotará o carro número três da Penske. O kiwi tem uma trajetória de sucesso na Oceania, com títulos pela Supercars na Austrália, especialmente como empregado pelo capitão Roger Penske por lá.

Desde o ano passado, McLaughlin está envolvido com a equipe Penske na Indy, com boas participações em testes, além de disputar a última corrida de 2020, em St. Petesburg, com um desempenho discreto. Agora, participará o ano todo e tem metas ousadas para honrar a vaga em que ocupa.

Mesmo com 46 anos, Jimmie Johnson quer novos desafios para sua carreira (Chris Owens/Indycar)
Mesmo com 46 anos, Jimmie Johnson quer novos desafios para sua carreira (Chris Owens/Indycar)

Outro piloto egresso de carros de stock car que fará sua estreia na Indy é ninguém menos que o heptacampeão da NASCAR Cup Series, Jimmie Johnson. O piloto de 46 anos resolveu se aventurar nos monopostos após alguns testes no ano passado e disputará as provas em circuitos mistos e de rua neste ano, além de correr de forma eventual na IMSA.

Apesar da carreira longeva na NASCAR, Johnson decidiu não encarar as quatro provas em circuitos ovais na categoria em razão da preocupação da família em correr neste tipo de pista, mas JJ está bem animado para correr em monoposto e tem treinado bastante para fazer um bom trabalho.

Johnson também terá uma estrutura de qualidade para ajudar, pois correr pela equipe Chip Ganassi, que voltou a expandir suas operações para quatro carros nesta temporada, com a mesma numeração com a qual corrida na NASCAR, o número 48.

O terceiro debutante é bem conhecido internacionalmente: trata-se do franco-suíço Romain Grosjean, que retoma a carreira após a sua saída da Fórmula 1 depois de nove temporadas completas

Recuperado do acidente no Bahrein, Romain Grosjean está pronto para ação (Joe Skibinski/Indycar)
Recuperado do acidente no Bahrein, Romain Grosjean está pronto para ação (Joe Skibinski/Indycar)

Assim como JJ, Grosjean também participará das provas nos circuitos mistos e de rua, uma precaução que se acentuou depois do acidente sofrido na primeira volta do GP do Bahrein no ano passado.

A equipe em que o francês correrá este ano não é uma das mais fortes, embora seja tradicional na categoria. Grosjean pilotará o número 51 da Dale Coyne Racing, cuja estrutura terá parceria com a Rick Ware Racing, equipe pequena da NASCAR Cup Series.

Brasileiros assumem o volante nos ovais

Já que JJ e Grosjean não vão correr nos circuitos ovais, as respectivas equipes foram atrás de nomes para assumir os cockpit e manter a competitivade esperada para as devidas corridas. Curiosamente, a vaga ficou para dois pilotos que representam a Terra Brasilis!

Tony Kanaan deixou aposentadoria de lado para correr no 48 nos ovais (Twitter Chip Ganassi)
Tony Kanaan deixou aposentadoria de lado para correr no 48 nos ovais (Twitter Chip Ganassi)

No carro 48 da Chip Ganassi, a cortesia será de nada menos que Tony Kanaan. O baiano, que chegou a cogitar sua aposentadoria no ano passado, vai cumprir a função de regra 3 para as provas de circuitos ovais, inclusive as 500 Milhas de Indianápolis, aonde busca o seu segundo anel de vencedor na Brickyard.

Tony retorna à Ganassi após a saída em 2017 e busca resultados expressivos para ter uma despedida mais digna do que na passagem pela AJ Foyt, uma equipe que não oferece a mesma infraestrutura da esquadra de Chip Ganassi.

Pietro Fittipaldi participará da Indy 500 e das demais provas em oval (James Black/Indycar)
Pietro Fittipaldi participará da Indy 500 e das demais provas em oval (James Black/Indycar)

Já a Dale Coyne terá suas semelhanças com a Haas da F1 dos últimos anos, pois quem assumirá o volante do carro número 51 será Pietro Fittipaldi. O neto de Emerson Fittipaldi conciliará a função de piloto reserva da escuderia estadunidense e a disputa da European Le Mans Series (ELMS) com as provas na Indy para se manter ativo no automobilismo.

Pietro também carrega o peso de ter um legado do avô, já que Emerson já foi campeão da categoria e vencedor da Indy 500 em duas ocasiões. O piloto brasileiro correu algumas provas em 2018, e acredita ter uma evolução maior em seu desempenho com a experiência adquirida mundo afora.

Outro representante brasileiro confirmado é mais um veterano da categoria: Hélio Castroneves fará seis provas em 2021, incluindo a Indy 500, aonde o brasileiro visa um bom desempenho e sonha em conquistar sua quarta vitória, o que lhe colocaria no grupo dos maiores vencedores da história da prova.

Após encerrar seu vínculo com a Penske e ter passagem vitoriosa na IMSA, Hélio também busca voltar a competir integralmente na Indy. Por isso o brasileiro se acertou com a Meyer Shank Racing para correr pelo segundo carro em algumas provas, visando a maior participação para o ano que vem.

Disputa pelo título com os mesmos protagonistas

Com reação às brigas pelas vitórias e títulos, a tendência deve ser a mesma dos últimos anos, o que não necessariamente significa que a disputa será fácil.

Scott Dixon segue como o homem a ser batido (James Black/Indycar)
Scott Dixon segue como o homem a ser batido (James Black/Indycar)

O nome que ainda segue como o favorito da categoria para disputar o caneco (assim como a Indy 500) é o do neozelandês Scott Dixon. Hexacampeão e atual detentor do título, o piloto da Ganassi segue motivado para continuar sua dinastia nos States e busca a sua segunda vitória na Brickyard. Para acompanhar Dixon na briga pelo caneco, o sueco Marcus Ericsson e o espanhol Alex Palou completam a esquadra de Chip Ganassi (além do dueto Johnson-Kanaan)

Os principais oponentes serão da Penske. O experiente trio formado pelo americano Josef Newgarden, o francês Simon Pagenaud e o australiano Will Power quer reconquistar o título da Indy e a equipe do capitão Roger Penske não vai medir esforços para voltar ao topo. Lembrando também, como já citado antes, Scott McLaughlin é outro representante da equipe.

Outra equipe sedenta pelas vitórias e pelo título é a Andretti Autosport. A trinca estadunidense formada por Alexander Rossi, Ryan Hunter-Reay e Colton Herta quer mostrar mais consistência e brigar de forma mais frequente pela ponta. A equipe também tem o retorno do canadense James Hinchcliffe, além de um carro a mais na Indy 500 para Marco Andretti (que resolveu apenas disputar esta prova em 2021).

McLaren SP terá Felix Rosenqvist no carro 7 este ano (Chris Owens/Indycar)
McLaren SP terá Felix Rosenqvist no carro 7 este ano (Chris Owens/Indycar)

Entre as escuderias emergentes, o maior destaque vai para a McLaren SP, que teve um bom primeiro ano com o apoio da escuderia inglesa. O mexicano Pato O’Ward segue na equipe, agora tendo como companheiro o sueco Felix Rosenqvist, egresso da Ganassi. Além disso, o time papaia contará com os serviços de Juan Pablo Montoya na Indy 500, com o colombiano sedento pela sua terceira vitória em Indianápolis.

Outra equipe a se prestar atenção é a Rahal Letterman Lanigan. O time de Bobby Rahal contará mais uma vez com a experiente dupla formada por seu filho Graham e com o japonês Takuma Sato, duas vezes vencedor da Indy 500 e atual campeão da tradicional prova.

Além destes, outro nome experiente a retornar à categoria é o francês Sebastien Bourdais. O tetracampeão da Champ Car volta a competir integralmente, com o carro 14 da AJ Foyt e busca ser uma surpresa nesta temporada.

Já entre os participantes eventuais, o destaque vai para a Paretta Autosport, que competirá apenas nas 500 Milhas de Indianápolis. Está será uma equipe 100% feminina, entre mecânicas e engenheiras. Para pilotar, a escolhida foi a suíça Simona de Silvestro, que retorna à uma prova da Indy após sete anos.

Confira a seguir a lista dos pilotos e equipes confirmadas:
Equipe/Motor Piloto Quais corridas disputará?
A.J.Foyt Enterprises/Chevy 1-JR Hildebrand (EUA) Indy 500
4-Dalton Kellett (CAN) Todas
11-Charlie Kimball (EUA) Indy Misto 1 e Indy 500
14-Sébastien Bourdais (FRA) Todas
Andretti Autosport/Honda 26-Colton Herta (EUA) Todas
27-Alexander Rossi (EUA) Todas
28-Ryan Hunter-Reay (EUA) Todas
29-James Hinchcliffe (CAN) Todas
98-Marco Andretti (EUA) Indy 500
Arrow McLaren SP/Chevy 5-Patricio O’Ward (MEX) Todas
7-Felix Rosenqvist (SUE) Todas
86-Juan Pablo Montoya (COL) Indy Misto 1 e Indy 500
Carlin-Chevy 59-Max Chilton (GBR) Mistos, Rua e Indy 500
59-(A ser anunciado) Demais ovais
Chip Ganassi Racing/Honda 8-Marcus Ericsson (SUE) Todas
9-Scott Dixon (NZL) Todas
10-Álex Palou (ESP) Todas
48-Jimmie Johnson (EUA) Mistos e de rua
48-Tony Kanaan🇧🇷 (BRA) Ovais
Dale Coyne Racing/Honda 18-Ed Jones (EAU) Todas
51-Romain Grosjean (FRA) Mistos e de rua
51-Pietro Fittipaldi (BRA) Ovais
52-Cody Ware (EUA) Indy 500
Ed Carpenter Racing/Chevy 20-Conor Daly (EUA) Mistos e de rua
20-Ed Carpenter (EUA) Ovais
21-Rinus Veekay (HOL) Todas
47-Conor Daly (EUA) Indy 500
Meyer Shank Racing/Honda 06-Hélio Castroneves (BRA) Indy 500, Nashville, Indy Misto 2, Portland, Laguna Seca e Long Beach
60-Jack Harvey (GBR) Todas
Paretta Autosport/Chevy 16-Simona de Silvestro (SUI) Indy 500
Rahal Letterman Lanigan Racing/Honda 15-Graham Rahal (EUA) Todas
30-Takuma Sato (JPN) Todas
45-Santino Ferrucci (EUA) Indy 500
Team Penske-Chevy 2-Josef Newgarden (EUA) Todas
3-Scott McLaughlin (NZL) Todas
12-Will Power (AUS) Todas
22-Simon Pagenaud (FRA) Todas
Calendário ainda com algumas incertezas

A expectativa dos dirigentes da Indy em 2021 é que o calendário seja o mais próximo possível do planejado originalmente. Afinal a categoria sofreu bastante com a pandemia e muitas praças não puderam receber as provas que se esperavam. Apesar da evolução do controle da doença dentro dos Estados Unidos, especialmente com o avanço da vacinação no país, muitos cuidados ainda são necessários para a realização de eventos esportivos.

Circuito de Barber, no Alabama, receberá a abertura do campeonato (Joe Skibinski/Indycar)
Circuito de Barber, no Alabama, receberá a abertura do campeonato (Joe Skibinski/Indycar)

A prova nas ruas de St. Petesburg, na Flórida, palco tradicional da abertura do certame (mas que foi a etapa de encerramento ano passado) foi adiada mais uma vez e passou a ser a segunda corrida do ano.

Assim, a abertura da temporada acabou sendo a etapa de Alabama, que será neste domingo (18), com a prova de St. Petesburg sendo na semana seguinte. Geralmente a prova que ocupa esta faixa do calendário é a do tradicional circuito de rua de Long Beach.

No entanto, com as restrições da pandemia, a organização da etapa decidiu adiar a disputa. Agora, a corrida citadina da Califórnia será o encerramento do ano em 26 de setembro, isso, é claro, se as condições permitirem.

Afinal, algumas dificuldades ainda estão colocando em risco algumas provas do calendário. O risco maior está na etapa de Toronto (a única fora dos Estados Unidos), assim, a categoria estuda a inclusão de outra pista ou mesmo a transformação de alguma prova em rodada dupla ou tripla, caso seja necessário o cancelamento da corrida canadense.

Outro efeito também se vê no número de ovais que serão utilizados este ano: apenas três pistas deste tipo receberão corridas em 2021: Texas (com rodada dupla), Gateway e Indianápolis (que, além das 500 milhas, tem prova também no circuito misto).

Este é o calendário de 2021, ainda sujeito a mudanças:

18/04 – Barber, Alabama (Misto)
25/04 – St. Petesburg (Rua)
01/02 – Texas 1 (Oval)
02/05 – Texas 2 (Oval)
15/05 – Indy GP 1 (Misto)
30/05 – Indy 500 (Oval)
12/06 – Detroit 1 (Rua)
13/06 – Detroit 2 (Rua)
20/06 – Road America (Misto)
04/07 – Mid-Ohio (Misto)
11/07 – Toronto (Rua)
08/08 – Nashville (Rua)
14/08 – Indy GP 2 (Misto)
21/08 – Gateway (Oval)
12/09 – Portland (Misto)
19/09 – Laguna Seca (Misto)
26/09 – Long Beach (Rua)

Uma nova casa para a Indy no Brasil (e outras formas de mídia)

A temporada 2021 terá um jeito novo para o fã brasileiro. A Fórmula Indy agora será transmitida pela TV Cultura. A emissora pertencente à Fundação Padre José Anchieta expandiu sua programação esportiva (que já conta com a Fórmula E, entre outros produtos), mantendo a cobertura da categoria em um canal de televisão aberto.

De acordo com diretor de esportes da Cultura, Vladir Lemos, a emissora fará uma cobertura extensa da categoria, com espaço nos telejornais e na grade de programação e que as corridas serão exibidas na íntegra e, possivelmente todas as etapas ao vivo. O jornalista explicou que eventuais choques de horário com outros eventos podem ocorrer, mas que a equipe do canal fará todo o possível para exibir as provas ao vivo.

A equipe que vai cobrir a primeira etapa já está formada: a narração será por conta de Geferson Kern e os comentários serão de Rodrigo Mattar. A transmissão da Cultura terá parceria com a Live Sports, que auxiliará na parte técnica.

Além disso, foi anunciado para, a partir de sexta-feira (16) o lançamento do aplicativo Arena Indy, que trará informações e conteúdo da categoria em caráter oficial, inclusive com a transmissão das classificações das corridas desta temporada.

Outra atração será a cobertura da Indy Pro 2000 (a segunda das três divisões de acesso que integram a IndyCar Series) que será feita pelos Fittipaldi Brothers no Twitch. O canal vai cobrir a participação de Enzo Fittipaldi na divisão e contará com André Duek na narração. A categoria também conta com o brasileiro Kiko Porto, que faz sua segunda temporada na Indy Pro 2000.

Seguem os horários das corridas: (Horário de Brasília)
Indy Pro 2000
Sábado: Corrida 1 – 13h10
Domingo: Corrida 2 – 11h15
IndyCar Series – GP do Alabama
Classificação – 19h no App Arena Indy
Corrida – 17h (transmissão da Cultura começa 16h30)
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Eduardo Casola

Jornalista formado na Universidade de Sorocaba (Uniso) e apaixonado por esporte a motor desde quando se conhece por gente. Apenas um rapaz que gosta de uma boa corrida e de uma boa história!

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