365 dias

Na volta de Spa, o Mito deu show, mas a festa foi do Professor

| Por: Eduardo Casola Filho

lll Série 365:  Na volta de Spa, o Mito deu show, mas a festa foi do Professor – 02ª Temporada: dia 01 de 365 dias

A série dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo do Boletim do Paddock trouxe grandes momentos ao longo deste ano. Com uma equipe de primeira, muitas histórias do automóvel e do esporte a motor foram contadas por aqui. Mas este não foi o fim do projeto, afinal, outro ano se inicia e muitas histórias ainda estão aqui para serem contadas.

lll Sem mais delongas, vamos a primeira deste ano:

Mais uma aula do Professor (GP Expert)

Tanto os pilotos como os fãs de automobilismo têm um carinho especial por Spa-Francorchamps. O circuito belga é considerado um dos mais desafiadores e mais técnicos do esporte a motor com suas curvas velozes, subidas e descidas e pelos trechos de ultrapassagens.

No entanto, a pista acabou preterida ao longo da década de 1970 pela Fórmula 1 devido às condições de segurança precárias. A última prova realizada no circuito foi em 1970. Para voltar à categoria, houve um forte projeto de modernização. O traçado antigo, de 14 quilômetros, que utilizava antigas estradas da região das Ardenas, foi substituído por um trajeto de quase sete quilômetros, usando boa parte das curvas clássicas.

Como era o circuito de Spa-Francorchamps (Stats F1)

Como ficou o circuito de Spa-Francorchamps (Stats F1)

A sequência Eau Rouge – Radillon estavam lá, assim como a reta Kemmel e a Blanchimont. As novidades foram: a transformação da Les Combes em uma chincane; a Stavelot tornou-se uma curva de raio longo bem técnica; a inclusão de novos trechos, como a Rivage, Pouhon e Les Fagnes; além da inclusão de uma sequência de duas chincanes após a Blanchimont, que lembrava um ponto de ônibus, o que fez o trecho levar o nome de Bus Stop. Além disso, o pit lane e a reta de largada passou a ser antes do cotovelo da La Source (que antes era a última curva e passou a ser a primeira).

Assim, a Fórmula 1 voltava ao interior da Bélgica para mais uma corrida em 1983, mais precisamente no dia 22 de maio. A pista, apesar da reforma, ainda era um circuito de alta velocidade, o que daria ampla vantagem para os carros com motores turbo, que dominavam o grid, em especial, Renault, Ferrari e Brabham-BMW.

A principal novidade era a estreia do piloto local Thierry Boutsen na categoria. O belga estreava pela equipe Arrows, em substituição ao brasileiro Chico Serra, dispensado por não conseguir o combustível financeiro para permanecer na escuderia inglesa.

Nos treinos, Alain Prost dominou as sessões com a Renault e garantiu a pole e o primeiro recorde daquele circuito, com o tempo de 2:04.615. Outro francês, Patrick Tambay, da Ferrari, fechava a primeira fila. A surpresa vinha na terceira posição, com Andrea de Cesaris e sua Alfa Romeo, deixando para trás a Brabham de Nelson Piquet.

Fim de semana não foi fácil para Piquet (GP Expert)

A primeira largada foi repleta de confusão, devido a problemas de carros alinhados no grid. Prost e De Cesaris largam e disparam enquanto os demais ficam para trás sem entender o que acontecia. Os carros voltaram para o grid e realinharam para nova partida. Algumas equipes chegaram a reabastecer os carros (o que era proibido pelo regulamento). Apesar da balbúrdia, os comissários não puniram ninguém.

Na segunda largada, quem pulou melhor foi De Cesaris, que assumiu a ponta antes de chegar a La Source. Prost era seguido por Tambay e Piquet, que escapou de um enrosco entre René Arnoux (Ferrari) e Eddie Cheever (Renault), atrasando-os na corrida. A outra Brabham, de Riccardo Patrese, não conseguiu sequer completar a primeira volta, depois do motor BMW ir pelos ares.

Andrea de Cesaris fez uma baita corrida, mas não foi o dia dele no fim (Continental Circus)

Na primeira metade das 40 voltas da etapa da Bélgica, o italiano seguia firme na ponta, sem dar chances a Prost. Entretanto, quando De Cesaris rumou aos boxes, os mecânicos se atrapalharam na troca de um dos pneus, o que jogou a Alfa Romeo para trás da Renault.

Piquet chegou a liderar por uma volta durante a sequência de pit-stops, mas, quando o brasileiro realizou sua parada, Prost assumiu a ponta, seguido por De Cesaris. O romano pisou fundo em perseguição ao francês, chegou, inclusive a fazer a volta mais rápida da prova (2:07.493), porém, um problema de injeção fez o motor da Alfa Romeo engazopar e acabando com o show do nosso mito italiano.

Sem seu principal oponente naquele dia, bastou a Prost apenas controlar o resto da corrida até a bandeirada final, sendo o primeiro vencedor do novo traçado de Spa-Francorchamps. Mais uma aula do Professor dentro das pistas.

A linha de chegada ainda era na antiga reta dos boxes em 1983, mas nada que evitasse a festa de Prost (GP Expert)

Piquet bem que tentou chegar ao pódio, mas a Brabham não teve um bom rendimento e ele perdeu as posições, respectivamente, para Tambay e Cheever, com o brasileiro se contentando apenas com o quarto lugar. Os dois últimos a pontuar foram as Williams de Keke Rosberg e Jacques Laffite, que ainda usavam os motores Ford Cosworth aspirados.

lll A Série 365 Dias Mais Importantes do Automobilismo, recordaremos corridas inesquecíveis, títulos emocionantes, acidentes trágicos, recordes e feitos inéditos através dos 365 dias mais importantes do automobilismo.

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Eduardo Casola

Jornalista formado na Universidade de Sorocaba (Uniso) e apaixonado por esporte a motor desde quando se conhece por gente. Apenas um rapaz que gosta de uma boa corrida e de uma boa história!

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