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Guia prático para acompanhar as 500 Milhas de Indianápolis

Última cartada de Alonso? Despedida dos brasileiros? Fim da maldição dos Andretti? Numa edição tão diferente, a Indy 500 tem muita história para contar

Não há dúvidas que a edição 104 das 500 Milhas de Indianápolis já está na história da prova. Com a pandemia da Covid-19, a competição realizada anualmente no último domingo de maio (véspera do feriado estadunidense do Memorial Day) teve que ser adiada para o mês de agosto.

Embora houvesse um grande desejo de se realizar a prova com público, a organização decidiu que o evento terá de ser realizado de portões fechados.

Legenda: A classe de 2020 na Indy 500. Uma edição diferente das demais (Chris Owens/IndyCar)
Legenda: A classe de 2020 na Indy 500. Uma edição diferente das demais (Chris Owens/IndyCar)

Apesar dos revezes da pandemia, a primeira edição da Indy 500 com o autódromo sob o comando de Roger Penske traz elementos interessantes, com histórias marcantes que terão mais um capítulo neste domingo. Para alguns, pode ser a despedida, para outros, a chance para mudar o seu destino. Vamos a algumas delas:

A Missão de Marco: dar um fim na maldição dos Andretti
O avô Mário Andretti acompanhará dos boxes seu neto Marco tentar enterrar a maldição da família em Indianápolis (Chris Owens-IndyCar)
O avô Mário Andretti acompanhará dos boxes seu neto Marco tentar enterrar a maldição da família em Indianápolis (Chris Owens-IndyCar)

O grande nome durante os treinos realizados no mês de agosto foi o de Marco Andretti, o neto de Mario e filho de Michael teve aquela que pode ter sido a melhor atuação em anos na categoria.

Marco não vence na Indy desde 2011 e, há anos, frequenta mais o fim do pelotão na categoria. Mas, com a melhora do motor Honda em relação aos Chevrolet e um bom acerto de sua equipe, o piloto de 33 anos andou rápido em todas as sessões e garantiu sua primeira pole em Indianápolis.

Mais do que isso, o americano busca encerrar um tabu dele e de sua família. O clã Andretti teve apenas uma vitória em toda a história da Indy 500, com Mario em 1969. Desde então, todos os membros do clã que se aventuraram em Indianápolis tiveram dissabores dolorosos.

O próprio Mario Andretti teve algumas decepções lamentáveis. Acidentes e quebras em provas nas quais tinha condições de brigar por vitória foram frequentes. As maiores tristezas foram em 1981 (quando perdeu para Bobby Unser, numa disputa polêmica) e em 1987 (largou na pole e liderou mais da metade da prova até quebrar).

A última pole de um Andretti antes de 2020 foi com Mario Andretti em 1987 (Arquivo-IndyCar)
A última pole de um Andretti antes de 2020 foi com Mario Andretti em 1987 (Arquivo-IndyCar)

 

Michael Andretti também foi um piloto de destaque e esteve muito perto de vencer, mas sofreu derrotas dolorosas, como as quebras quando liderava em 1989 e 1992, além de terminar em segundo em 1991, em uma batalha lendária contra Rick Mears. Seus primos, John e Jeff também correram em Indianápolis algumas vezes, mas não chegaram perto de brigar pela vitória.

Por fim, Marco surgiu como um candidato a quebrar o tabu. Na sua estreia, em 2006, o mais jovem dos Andretti esteve perto de quebrar o tabu, mas foi ultrapassado por Sam Hornish Jr na reta de chegada e terminou em segundo.

Desde então, Marco não conseguiu uma atuação em que fosse competitivo suficiente para disputar a vitória, mas o desempenho em 2020, pelo menos até agora, demonstra que a maldição do clã Andretti pode estar chegando ao fim.

Dixon e Sato: busca pelo bi em Indianápolis, mas em situações opostas
Nesta primeira fila, não passa nem Wifi (Joe Skibinski/IndyCar)
Nesta primeira fila, não passa nem Wifi (Joe Skibinski/IndyCar)

Ao lado de Marco Andretti, temos dois vencedores de 500 Milhas. No entanto, ambos são tratados de forma antagônica: Enquanto Scott Dixon se consolida cada vez mais como o grande nome da Indy, como pentacampeão da categoria e líder do campeonato, Takuma Sato ainda gera desconfiança pela fama negativa causada pelos acidentes.

Dixon vai para a prova com um grande favoritismo pelo desempenho na temporada e pela consistência nos treinos, sempre andando entre os mais rápidos. Porém, o neozelandês terá ao seu lado dois rivais que não vão aliviar na disputa.

Para Sato, vale mais uma prova de que a vitória em 2017 não foi um mero acaso, mas certamente não veremos o japonês facilitar num duelo por posições, o que pode fazer a diferença para vencer… ou ir ao muro.

Novatos que querem escrever seu nome na história
Largando em quarto, Reenus Veekay é o melhor estreante no grid (Karl Zemlin/IndyCar)
Largando em quarto, Reenus Veekay é o melhor estreante no grid (Karl Zemlin/IndyCar)

A edição deste ano contará com cinco pilotos estreantes. O melhor colocado na classificação foi o holandês Reenus Veekay, que foi o melhor novato na sessão e vai largar de quarto lugar, sendo o melhor piloto com motor Chevrolet.

Para conseguir um bom papel, o neerlandês também tem o fato de competir pela Ed Carpenter Racing, equipe que costuma ter um papel em Indianápolis.

Outro nome que teve destaque na classificação foi Alex Palou. O espanhol tem sido o melhor representante da Dale Coyne e se classificou em sétimo. Outro estreante que estará na pista é Dalton Kellett, que corre na AJ Foyt Racing.

O americano ainda não conseguiu um desempenho animador e larga apenas em 24º, com perspectiva apenas de conseguir concluir a prova no melhor resultado possível. Sobre os outros novatos, falaremos mais à frente.

A Penske não está morta, mas o alerta está acionado
A Penske espera aparecer melhor na foto durante a corrida (Joe Skibinski/IndyCar)
A Penske espera aparecer melhor na foto durante a corrida (Joe Skibinski/IndyCar)

A maior vencedora da Indy 500, com 18 triunfos, a Penske está bem longe do nível esperado, com dificuldades para acompanhar os carros com motor Honda. Como consequência, a equipe teve seu pior desempenho em classificação desde o vexame de 1995, quando sequer conseguiu se classificar.

Para este ano, o piloto mais regular da equipe tem sido Josef Newgarden, que foi o único a estar entre os 20 primeiros no grid e também tem sido o que anda mais constantemente dentro dos dez primeiros.

Os dois últimos vencedores em Indianápolis, o francês Simon Pagenaud e o australiano Will Power, estão bem longe de repetir o desempenho dos anos anteriores, mas confiam numa boa estratégia para melhorar a sua classificação.

Agora retornando pra valer, será que a McLaren virá forte?
McLaren mostrou-se competitiva na última sessão de treinos livres (James Black/IndyCar)
McLaren mostrou-se competitiva na última sessão de treinos livres (James Black/IndyCar)

Outra equipe a despertar as atenções no grid este ano é a McLaren, com o retorno oficial da escuderia, que frequentou a Indy nos anos 1970, e agora compete integralmente na Fórmula Indy este ano.

Para a temporada regular, a equipe papaia apostou em dois novatos, o espanhol Patrício (Pato) O’Ward e o americano Oliver Askew. Os estreantes tiveram um desempenho modesto na classificação, mas no último treino livre (o tradicional Carb Day), a dupla teve um bom desempenho, com O’Ward sendo o mais rápido e Askew em quinto.

Para o domingo, a equipe tem esperança de conseguir uma boa estratégia e ter um ritmo capaz de disputar as primeiras posições. Inclusive, é o que o piloto mais experiente da escuderia precisará para realizar seu desejo.

A cartada final de Fernando Alonso? Missão Tríplice Coroa por um fio
O espanhol tem enfrentado muitas dificuldades nos treinos (Chris Jones/IndyCar)
O espanhol tem enfrentado muitas dificuldades nos treinos (Chris Jones/IndyCar)

Fernando Alonso não vem tendo dias fáceis em Indianápolis. O espanhol não consegue repetir o desempenho dos seus companheiros de McLaren e já bateu três vezes durante os treinos em Indianápolis. Largando em 25º, o asturiano terá que remoar para colocar o troféu Borg-Warner junto com os do GP de Mônaco e os das 24 Horas de Le Mans que possui.

Para piorar o cenário, 2020 pode ser a última chance de Alonso em Indianápolis, já que nos próximos dois anos, ele voltará para a F1, correndo a bordo da Renault. O chefe da escuderia francesa, Cyril Abitetoul, já avisou que não liberará o espanhol para a Indy 500, caso haja choque de datas entre as categorias.

Assim, se Alonso quiser resolver este assunto inacabado de forma rápida, terá que resolver este ano, o que será um desafio árduo. No entanto, não se deve duvidar do talento do espanhol.

Hélio e Tony: ainda em busca do topo, mas haverá outra chance?

Numa possível despedida da Penske, Hélio Castroneves terá uma dura missão para tentar a quarta vitória em Indianápolis (Chris Owens/IndyCar)
Numa possível despedida da Penske, Hélio Castroneves terá uma dura missão para tentar a quarta vitória em Indianápolis (Chris Owens/IndyCar)

A participação brasileira na Indy 500 ficará mais uma vez à cargo de Hélio Castroneves e de Tony Kanaan. Os representantes tupiniquins batem cartão em Indianápolis há quase 20 anos, com boas atuações na maioria das edições disputadas. Contudo, a prova deste ano traz um gosto de despedida para ambos.

Hélio tem, talvez, a sua última participação na Indy a bordo de um carro da Penske, encerrando um vínculo de duas décadas, já que a Penske deixará a IMSA ao fim da temporada atual e liberou o brasileiro (assim como seus companheiros na categoria de endurance) a procurar outro emprego.

O tricampeão das 500 milhas manifestou o interesse em continuar na Indy e pode ainda permanecer na equipe, se correr em algumas provas, embora o seu desejo seja até de fazer a temporada completa em 2021. Por hora, ainda devemos aguardar alguma novidade.

Para a prova, Hélio larga apenas de 28º, mas mostrou sinais que pode ser competitivo, com direito a um segundo lugar em uma das sessões de treinos livres. O brasileiro vai precisar de paciência e estratégia para buscar o tetracampeonato da prova e igualar os recordistas Aj Foyt, Al Unser e Rick Mears.

500 Milhas Tony Kanaan fará o melhor que dá com o carro da AJ Foyt (John Cote/IndyCar)
Tony Kanaan fará o melhor que dá com o carro da AJ Foyt (John Cote/IndyCar)

Já Tony, fará a principal prova da sua turnê de despedida, anunciada desde o começo do ano. O vencedor da prova em 2013 sabe que não terá muitas chances de vitória, devido à situação da AJ Foyt Racing, mas usará o talento e a experiência para conseguir o melhor resultado possível.

Já para o futuro, Tony ainda pensa que pode fazer a Indy 500 em alguma equipe competitiva no futuro, mas observa outras categorias para competir, além de pensar carreira quando pendurar o capacete.

As 500 Milhas de Indianápolis serão realizada no domingo, dia 23, a partir das 15h30. A prova será exibida em TV aberta pela Band, TV fechada no Bandsports e na plataforma de streaming DAZN.

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Eduardo Casola

Jornalista formado na Universidade de Sorocaba (Uniso) e apaixonado por esporte a motor desde quando se conhece por gente. Apenas um rapaz que gosta de uma boa corrida e de uma boa história!

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