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Contos de verão: quem ganhou e quem perdeu no Festival de Berlim [Parte 1]

Agora que a temporada acabou, podemos analisar com calma tudo o que aconteceu em Berlim

Durante 9 dias, o mundo da Fórmula E se voltou para Berlim. O desafio de realizar seis provas em 3 traçados diferentes em um espaço de tempo tão apertado finalmente aconteceu. A promessa era de um final de temporada emocionante e com muitas disputas. E foi isso o que vimos. 

Embora Antonio Félix da Costa tenha conquistado o campeonato com duas corridas de antecipação, as seis etapas realizadas no aeroporto de Tempelhof promoveram muitas disputas nos dois traçados desenhados para a super final. Além do desempenho majestoso do português, principalmente nas duas primeiras provas, ainda presenciamos dois estreantes no lugar mais alto do pódio, favoritos ao títulos passarem por grandes dificuldades e o vice-campeonato sendo decidido apenas na última bandeirada.

Nossa análise equipe a equipe segue a ordem inversa do campeonato de construtores.

NIO

Daniel Abt, NIO 333, NIO, Fórmula E – Foto da Equipe

A Nio chegou a Berlim com cara nova. A estreia de Daniel Abt pareceu renovar as energias da equipe que teve a temporada 2019/20 como a pior da sua história. Abt fez o que pode dentro de duas possibilidades, com um carro que não lhe permitiu ser competitivo, o alemão andou constantemente na frente de Oliver Turvey e só chegou na última posição apenas uma vez – o que é um resultado para a NIO, principalmente considerando que o predecessor de Abt, o chinês Ma Qing Hua, não só era o último colocado em praticamente todas as corridas, como andava cerca de 3 segundos mais lento que Turvey. 

Oliver Turvey mostrou que os poucos sinais de melhora dados pela equipe na primeira fase da temporada eram alarme falso. O melhor resultado do inglês foi largar em 15º na corrida 1, mas não passou disso. Ele seguiu ocupando as últimas posições em todas as etapas e a NIO encerrou sem marcar nenhum pontinho sequer. 

Ainda não sabemos se Abt continuará na NIO, mas agora a equipe tem uma dupla de pilotos mais experiente, se conseguir evoluir para o ano que vem, pode beliscar a tão sonhada zona de pontuação. #Oremos!

DRAGON 

Sergio Sette Camara, GEOX Dragon - Foto da Equipe
Sergio Sette Camara, GEOX Dragon – Foto da Equipe

A Dragon foi outra equipe que trouxe novidades para Berlim, com a saída de Brendon Hartley que preferiu se dedicar ao WEC, o time de Jay Penske escolheu Sérgio Sette Câmara para ocupar o segundo carro da equipe. E o brasileiro mostrou serviço. Apesar de um começo complicado com uma desqualificação por uso excessivo de energia e um acidente com James Calado, Sette Câmara se superou nas últimas etapas e conseguiu largar dentro do top 10. Com o carro que perde muito rendimento durante as corridas, o novato não conseguiu marcar pontos, mas certamente deixou uma ótima impressão na equipe. A permanência dele na categoria é bem incerta, vai depender muito do que vai acontecer na Fórmula 1 – já que ele é piloto reserva das equipes Red Bull e Alpha Tauri, mas pelo “entusiasmo” mostrado por ele com a Fórmula E, é bem provável que ele siga esperando uma vaga na Fórmula 1 mesmo. 

Nico Müller teve uma performance bastante apagada em Berlim, o suíço estava na disputa interna para ocupar a vaga deixada por Daniel Abt na Audi e aparentemente deixou a oportunidade passar. Os resultados modestos de Müller o deixaram à sombra de Sette Câmara, principalmente nas últimas corridas. Na penúltima etapa ele até conseguiu se classificar na 11ª posição (Sette Câmara foi o 9º), mas também sofreu com a perda de rendimento da Dragon e terminou como 17º, também duas posições atrás do companheiro de equipe. 

A má fase da Dragon permaneceu por mais um ano, a equipe que já chegou a vencer corridas nas primeiras temporadas, agora amarga mais um ano nas últimas posições da tabela. Existe uma chance grande de a dupla de pilotos não ser a mesma no ano que vem, embora Müller deva permanecer. Vamos ver o que os próximos meses nos dirão.

VENTURI

Felipe Massa, Venturi – Foto da Equipe

Provavelmente o grande momento da Venturi em Berlim foi o anúncio da saída de Felipe Massa logo após o fim da última corrida. Apesar do timing horroroso que quase causou um anticlímax no fechamento do Festival, o fim da parceria nem de longe é uma surpresa. Ao longo dos dois anos em que esteve na Venturi, Massa teve poucos momentos de brilho. O melhor resultado do brasileiro foi um terceiro lugar em Mônaco no ano passado e depois disso as passagens pela zona de pontuação foram bem raras. Apesar de alguns bons resultados de Quali conquistados em Berlim, já tinha algum tempo que o desempenho ruim de Massa virou alvo de muitos questionamentos. A críticas do piloto à aplicação das punições na categoria azedaram ainda mais o clima e o encerramento precoce do contrato parecia iminente – mas ouso dizer que ninguém imaginou que o fim seria do jeito que foi. 

O substituto de Felipe ainda não foi anunciado, mas Edoardo Mortara certamente continuará com a Venturi. Mortara manteve um nível razoável de desempenho fazendo 9 x 1 em pontos no companheiro de equipe, não chegou a brigar por pódio como nas primeiras corridas da temporada, mas pontuou em três etapas – e marcar pontos ainda é o objetivo principal da equipe. O suíço casou muito melhor com a equipe e agora vai para o quarto ano de parceria com a Venturi, ambos têm grandes ambições para o ano que vem, resta saber o vai dar certo ou não. 

Susie Wolff também não deve deixar o projeto Venturi-Mercedes desandar. Boatos já apontam que a substituta de Felipe Massa será Jamie Chadwick. Boatos. Apenas boatos.

MAHINDRA

Alex Lynn, Mahindra Racing - Foto: Equipe
Alex Lynn, Mahindra Racing – Foto: Equipe

O Festival de Berlim da Mahindra começou em baixa, o chefe da equipe, Dilbagh Gill, foi diagnosticado com COVID-19 e teve que ficar de quarentena durante todos os dias do evento. Do hotel onde estava isolado, Gill viu Alex Lynn apresentar uma das melhores performances de sua passagem pela categoria. A Mahindra é a 3ª equipe que o britânico defende e seu bom desempenho ajudou o time indiano a respirar um pouco melhor no campeonato. Em seis corridas, Lynn conquistou 16 pontos, 3 a menos que D’Ambrosio fez em toda a temporada. Ele se classificou na frente do companheiro 5 vezes, e foi para a Super Pole em duas oportunidades. É bem provável que ele tenha garantido uma vaguinha para o ano que vem, já que chegou a Berlim apenas como substituto de Pascal Wehrlein

D’Ambrosio também foi à Super Pole duas vezes, e assim como Lynn, teve como melhor resultado de chegada um 5º e também marcou 16 pontos nas corridas em Tempelhof. Falar de D’Ambrosio é complicado, seu desempenho inconsistente não proporciona muitos momentos de brilhantismo. O belga também não fez frente ao ex-companheiro de equipe, perdeu para Wehrlein de 14 x 3. Talvez por isso a Mahindra decidido encerrar o contrato com ele, a equipe confirmou essa semana que D’Ambrosio não faz mais parte do time e Alexander Sims é um dos que chega para compor o line-up.

O outro assento ainda está vago, quem será que Dilbagh Gill vai chamar para ocupar essa vaga?

PORSCHE

Andre Lotterer, Tag Heuer Porsche - Foto da Equipe
Andre Lotterer, Tag Heuer Porsche – Foto da Equipe

Como já era esperado, o melhor desempenho da Porsche em Berlim ficou com Andre Lotterer, o alemão conseguiu um terceiro lugar logo na corrida 1 e só não pontuou na última. O que não era esperado por quase ninguém foi a performance de Neel Jani nas duas últimas provas. O piloto do carro #18 andou no fim do grid durante toda a temporada de repente conseguiu duas Super Poles seguidas justamente no fim do ano. O bom desempenho foi convertido em 8 pontos, os únicos que Jani conquistou. Só em Berlim, Lotterer conseguiu 46 dos 71 pontos finais. 

Já sabemos que o alemão terá outro companheiro de equipe na próxima temporada. Como apontavam os fortes sussurros, a equipe alemã terá dois pilotos alemães, pois Pascal Wehrlein foi confirmado como piloto da Porsche na segunda-feira seguinte ao fim da temporada. 

Essa certamente será uma das duplas mais fortes do próximo ano, cabe à equipe entregar um equipamento à altura de seus pilotos. 

JAGUAR

Mitch Evans no Panasonic Jaguar Racing - Foto da Equipe
Mitch Evans no Panasonic Jaguar Racing – Foto da Equipe

A Jaguar foi provavelmente a equipe que mais perdeu rendimento em Berlim. Mitch Evans chegou à super final como vice-líder do campeonato, mas basicamente desapareceu da disputa. Somou apenas 9 pontos e ganhou um extra por ter feito a volta mais rápida na corrida 3. E foi só. Inúmeros problemas de rendimento, além dos Qualis ruins, deixaram Evans totalmente fora da briga pelo título. O que é uma pena, pois a Jaguar apresentou uma ótima performance nas primeiras corridas do ano. 

Mas se Berlim não foi legal para Mitch Evans, a situação foi bem pior para James Calado. Foram inúmeras as punições sofridas pelo piloto do carro #51 e mesmo quando ele ia bem, o caos dava um jeito de o encontrar – visto o acidente causado por Sérgio Sette Câmara. James não pontuou em Berlim e teve uma despedida ofuscada pelo substituto Tom Blomqvist. Calado nem mesmo completou a temporada, faltando duas provas para o fim, ele preferiu ir para o WEC disputar as 6 horas de Spa, Blomqvist foi para a Super Pole logo na estreia e mesmo não tendo marcado pontos, deixou uma boa impressão na equipe e um ótimo cartão de visitas para tentar uma vaga ano que vem, mas não na Jaguar. 

Com Mitch Evans e Sam Bird confirmados para a próxima temporada, a Jaguar aposta alto para ganhar o título, mas antes, a equipe precisa superar os problemas técnicos do carro. O primeiro adversário deles serão eles mesmos.

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Cinthia Venâncio

Cearense que acompanha Fórmula 1 desde que se entende por gente. Faz aniversário no mesmo dia do Damon Hill.

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