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Conheça a Dragon, a equipe de Sérgio Sette Câmara na Fórmula E

Única equipe 100% americana no grid, a Dragon busca voltar aos bons resultados das primeiras temporadas da Fórmula E

A Dragon é uma das equipes que está na Fórmula E desde 2014, a primeira temporada. Ela foi fundada, e é até hoje dirigida, por Jay Penske, filho do lendário Roger Penske. A equipe já teve muitos nomes e chega ao ano que vem batizada de Dragon/Penske Autosport. 

Jay criou a equipe em 2006, desde então sua sede funciona na Los Angeles, Califórnia, mas possui operações adicionais em Silverstone, Inglaterra. A Dragon competiu na IndyCar durante sete anos e em 2014 se tornou uma das equipes fundadoras da Fórmula E. Los Angeles é hoje o maior mercado metropolitano de veículo elétricos do mundo, a presença da empresa de Penske na Fórmula E é extremamente estratégica, ainda mais hoje.

A agora Dragon/Penske Autosport é fruto de uma parceria que combina a herança do nome e da história dos Penske com a visão de futuro que a Fórmula E proporciona para o automobilismo. Nas palavras do próprio Jay, “é uma excelente plataforma para engajar patrocinadores, tecnologia e mídias digitais” e que todos da equipe estão ansiosos para o “crescimento da competição ao longo da década”. 

O corpo técnico da Dragon é composto por engenheiros e mecânicos que estão há anos na equipe. São eles que constroem o trem do força dos carros da Fórmula E. Somados, eles acumulam mais de 185 anos de experiência no automobilismo. São mais de 220 corridas e 17 campeonatos conquistados.

E é fazendo uso desse arsenal que a Dragon/Penske Autosport busca voltar às conquistas do passado, que é tão recente que eles devem lembrar bem como tudo aconteceu.

O INÍCIO NA FÓRMULA E

A primeira temporada da Dragon na categoria de carros elétricos, que corria sob o nome de Dragon Racing Formula E Team, foi a melhor de todas até agora. A equipe foi a vice-campeã daquele ano com 171 pontos (a campeã, Renault, fez 232 e a Audi, 3ª colocada, fez 165). O time só deixou de pontuar na etapa nove, em Moscou.

Foto: reprodução Fórmula E

Jerome D’Ambrosio marcou 103 de todos os pontos obtidos pela equipe e subiu ao pódio três vezes. Loic Duval conseguiu mais dois terceiros lugares para a Dragon, ele substituiu Oriol Servià na segunda metade do campeonato. 

No ano seguinte, a equipe caiu para o quarto lugar. D’Ambrosio conseguiu novamente ir três vezes ao pódio, mas a inconsistência de resultados fez com que o time iniciasse a queda da qual ainda não conseguiu se recuperar.

Na terceira temporada (2016/17), uma nova parceria surgiu. Junto com a Faraday Future, fabricante californiana de carros elétricos, a equipe passou a se chamar Faraday Future Dragon Racing. Uma parceria promissora que resultou apenas num 8º lugar, com apenas 33 pontos marcados e nenhum pódio.

A união com a Faraday Future durou apenas um ano e na temporada 2017/18 a equipe passou a ser somente Dragon Racing. A dupla de pilotos era formada por José “Pechito” Maria Lopez e Jerome d’Ambrosio, mas apesar da experiência ao volante, a equipe amargou o penúltimo lugar no campeonato. O único refresco daquele ano foi o pódio de D’Ambrosio em Zurique, na Suíça, que deixou a equipe com 41 pontos no total.

Para a temporada 2018/19, uma nova parceria, dessa vez com a grife italiana Geox, que renomeou a equipe para Geox Dragon. José-Maria Lopez continuou como piloto titular e Jerome D’Ambrosio foi para a Mahindra, em seu lugar entrou o estreante Maximilian Guenther, uma aposta ousada.

Guenther ainda chegou a ser substituído por Felipe Nasr nas etapas de Hong Kong e Sanya, mas o brasileiro abandonou as duas provas e depois voltou para o IMSA. O jovem alemão deu a volta por cima e conquistou dois quintos lugares para a equipe, os melhores resultados daquele ano. Já Pechito Lopez colecionou três abandonos, uma desclassificação e apenas quatros pontos. 

Foto: reprodução Fórmula E

No total foram somente 23 pontos somados pela equipe e 10º lugar na tabela de construtores, à frente apenas da NIO.

Na 6ª temporada, a Geox Dragon trouxe dois pilotos experientes visando um recomeço. O ex-F1 e campeão mundial de endurance, Brendon Hartley, e Nico Muller, piloto da Audi no DTM. Infelizmente a aposta não deu frutos, o baixíssimo desempenho do carro fez com que Hartley deixasse a equipe no meio da temporada, dando lugar para Sérgio Sette Câmara disputar a super final em Berlim.

Apesar da substituição, a equipe não conseguiu evoluir e encerrou o ano com apenas dois pontos na tabela que foram conquistados por Hartley na segunda corrida da temporada em Diriyah. A pior campanha da história da Dragon.

A ESTREIA DE SERGIO SETTE CÂMARA

Sette Câmara entrou na Fórmula E como piloto reserva da Dragon, 10 dias depois do anúncio, ele participaria do Teste de Novatos em Marrakesh, em março de 2020. O evento existe justamente para que equipes conheçam novos talentos potenciais para tentar uma futura vaga na categoria. Entre nomes que participaram do Teste este ano estão Jamie Chadwick, Alice Powell, Arthur Leclerc, James Rossiter, Daniel Juncadella, Antonio Fuoco e Pipo Derani.

LEIA MAIS: Como foi o Teste de Novatos 2019/20 da Fórmula E

O brasileiro mostrou muito empenho no curto período que teve para se preparar para a maratona de seis corridas em nove dias em Berlim. Sua dedicação, reconhecida por Jay Penske, o transformou no primeiro piloto que a equipe confirmou para a temporada 7. Ainda não se sabe quem será o companheiro de equipe do brasileiro, mas a missão para o ano que vem não será fácil.

LEIA MAIS: Passo a passo – como foi a estreia de Sergio Sette Câmara na Fórmula E

A Dragon viverá uma prova de fogo em 2021, a equipe precisa se reinventar para alcançar resultados que ela sabe que é capaz de atingir. Sette Câmara terá nas mãos o desafio de fazer parte de um time que voltar ao topo e se manter lá. Não é uma tarefa fácil, mas não se surpreenda se for mais difícil do que parece.

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Cinthia Venâncio

Cearense que acompanha Fórmula 1 desde que se entende por gente. Faz aniversário no mesmo dia do Damon Hill.

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