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BPBeats 33 | Os Esquecidos

De São Paulo/SP para Curitiba/PR voltando para São Paulo/SP:
R.B.S.:  – Ricardo Bunnyman Soares;
C.E.V.: – Carlos Eduardo Valesi;

R.B.S.: Vem e vai, pilotos bons e ruins, lembrados e esquecidos. Assim é a vida. Enquanto você está lá, você é um dos pilotos mais importantes do mundo, mas se você fizer menos que os demais e sair do meio da Fórmula 1, possivelmente será esquecido.

R.B.S.: E quem se enquadra nisso? Nick Heidfeld: Alemão nascido em Münchengladbach no ano de 1977, Nick foi um papa troféus quando esteve em categorias de base como a Formula Ford Alemã vencendo 8 das 9 etapas, Formula 43 Alemã e no final dos 90’s entrou como piloto de testes na McLaren além de participar das 24 Horas de Le Mans em 1999. Aliás, voltando um pouco, Münchengladbach, naquele momento situada na Alemanha Ocidental teve outro piloto de Fórmula 1 em seu berço, o mais conhecido na minha opinião, Heinz-Harald Frentzen. E lá de perto, em Dusseldorf, tinham esses caras também.

R.B.S.: E por que esses caras até famosos na época não são lembrados? Eles chegam como promessas na Fórmula 1 e como em um passe de mágica, somem ao vento.

C.E.V.: Assim como Nena, alemã de Hagen, mais a leste, que após ver um show dos Rolling Stones em Berlim Ocidental em 1982, quando vários balões subiram ao céu e sumiram ao vento, imaginou a reação que os balões causariam se voassem sobre o Muro que dividia a cidade. 99 Luftballons fez um sucesso danado, teve várias versões (olha a ideia pra um Under the Covers do AutoRadio Podcast aí) mas Nena, como alguns pilotos, nunca mais repetiu aquele brilho e sumiu.

R.B.S.: Um outro caso de Heikki Johaness Kovalainen. Um dos finlandeses não tão bem sucedidos como Kimi Räikönen ou Mika Häkkinen.

R.B.S.: Heikki, nascido em 1981, foi vice-campeão da GP2 (atual F2) em 2005 perdendo para Nico Rosberg. Em 2007 acabou entrando para correr na Renault após passar um ano como piloto de testes. Junto com Giancarlo Fisichella, foi o responsável pelo único pódio da atual equipe campeã com um segundo lugar em Suzuka, além de bater Fisichella por 30 a 21 ao final da temporada.

R.B.S.: Logo pulou para a McLaren onde viveu à sombra do novato Lewis Hamilton amargando um 7º lugar em 2008 (mesmo vencendo na Hungria, sua única vitória na F1) enquanto Lewis vencia o campeonato e em 2009 Heikki amargou um 12º e Hamilton chegou à 5ª posição. Acabou terminando seus dias de F1 na nanica Lotus Verde/Catherham com um capacete do Angry Birds (por acaso, este que vos escreve tem uma cópia paraguaia para correr de kart, mas isso é uma outra história).

C.E.V.: Outro piloto que chegou a vencer corridas, mas poucos se lembram foi Jean-Pierre Jabouille, parisiense que correu na Fórmula um nos anos 70 e início dos 80. Pódio em Le Mans em 73 e 74, vice campeão da F2 em 75 e vencedor no ano seguinte, assinou contrato com a Renault para desenvolver o motor turbo em 77. Dois anos depois venceu a primeira de suas duas corridas na categoria, em Dijon-Prenois. Uma vitória de um piloto francês no GP da França, numa equipe francesa… a primeira vitória de um motor turbo na história… Todo mundo deveria falar disso, mas para azar de Jean Pierre, o pódio daquela prova foi completado por René Arnoux e Gilles Villeneuve, que travaram uma das maiores disputas do automobilismo de todos os tempos. E o nosso herói ficou esquecido.

C.E.V.: Da mesma maneira, em 1979 as pessoas conheceram Another Brick in the Wall do Pink Floyd, London Calling do Clash e Highway to Hell do ACDC. Que chances tinham os caras do Molly Hatchet, por melhor que seja Flirtin’ With Disaster?

R.B.S.: O italiano Pierluigi Martini correu na Toleman no lugar do Senna em 1984 (tá bom… não se classificou para a corrida), correu no primeiro ano da Minardi e levou o carro sozinho nas pistas (bom… só terminou 3 corridas naquele ano, é verdade), deu pau no Christian Fittipaldi em 1993 (ok, foram só duas vezes), mas nunca se vê o nome dele em destaque. Um dos caras que mais pilotou pela ainda querida Minardi nunca está em evidência. Assim como o francês Philippe Alliot que correu quase no mesmo período e andou de Ligier, Lola, Larrouse e até por meia temporada em 1994 na McLaren.

C.E.V.: E grandes promessas que a vida não deixou irem adiante? O inglês Tony Brise poderia ter sido um dos nomes de destaque na Inglaterra – era inclusive a aposta de Graham Hill para ocupar seu lugar – mas o brilho que teve em 75, fazendo provas espetaculares até seu carro pouco confiável abrir o bico e deixá-lo na mão, não pôde iluminar eternamente nossa memória como torcedores pois um desastre aéreo lhe cobrou a existência aos 23 anos.

C.E.V.: J. P. Richardson Junior, ou The Big Bopper, morreu da mesma maneira, em um acidente de avião no Dia em Que a Música Morreu. Aos 29 anos, era o nome mais proeminente entre as vítimas fatais da queda, mas com o passar dos anos nós começamos a lembrar mais das perdas de Buddy Holly e Ritchie Valens, que fizeram a passagem junto com ele. Mas te garanto que não teríamos Elvis Presley ou Jerry Lee Lewis ou tudo que veio depois sem Chantilly Lace.

R.B.S.: Fato é que não é porque um piloto chegou à F1 ele será lembrado. Olhando no grid recente, quem você acha que será esquecido? Aposto que Sergey Sirotkin, Rio Haryanto, Roberto Merhi, Will Stevens e para quem não é brasileiro Felipe Nasr em 10 anos serão vagas lembranças na categoria.

C.E.V.: Eu mesmo já não lembrava de metade desses nomes aí.

R.B.S.: O que fica de um pouco da crítica é a questão política do nosso querido esporte. É fato que se trata de um esporte altamente técnico, tecnológico e caro. Será que esses homens não conseguiram fazer tanta história assim como Lance Stroll está fazendo por conta do vil metal? Quem seria Lance sem os caminhões de dinheiro lançados na F1?

R.B.S.: Ser inesquecível na F1 é uma tarefa hercúlea. Já na vida, basta ser uma boa pessoa como nosso nobre Valesi. Ele só tem gosto duvidoso para música, mas é um cara sensacional.

C.E.V.: Ah, pare com isso. Como clássicos da Sessão da Tarde, eu tenho meus defeitos, mas você não consegue me esquecer.

R.B.S.: e todos esses nomes não devem ser esquecidos.

lll BPBeats é uma produção da dupla que não é sertaneja, contudo é a prova que panela velha faz comida boa sim, Carlos Eduardo Valesi que já era residente fixo do BP em conjunto com Ricardo Bunnyman peça única da podosfera tupiniquim que foi recentemente adquirido em um leilão beneficente e por uma força do destino do qual nem os búzios, nem os zodíacos e muito menos os físicos teóricos da Magrathea poderiam prever que o encontro desses dois surgiria uma série tão empolgante e digna das melhores revistas do ramo musical tal qual como Rolling Stones e da saudosa MTV, apreciem sem moderação.

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BP Beats

Depois de um bate papo no happy hour do BP, entre uma brincadeira e outra surgiu a ideia de uma nova atração no site que é essa que o Amigo Cabeça de Gasolina está pondo os olhos agora: O BP Beats tem como ideia fazer algum tipo de sintonia com o automobilismo e sua provável trilha sonora, sob a batuta de Carlos Eduardo Valesi e Ricardo Bunnyman você irá serpentear pelo universo do automobilismo com rápidas paradas nos mundos colonizados por músicos e suas obras!!!

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